Treze chefs, inúmeras referências e um só objetivo: valorizar os ingredientes da caatinga e suas plantas alimentícias não convencionais (PANC), numa grande ode à típica comida nordestina e brasileira. Assim foi o Jantar Magno, evento de encerramento do Festival Gastronômico Umbu+Pancs – realizado em Petrolina entre os dias 02 e 05 de abril.

O Jantar Magno reuniu no Restaurante Flor de Mandacaru o melhor do trabalho dos chefs Jucilene Melo (proprietária da casa e co-realizadora do evento), Geórgia Romero (co-realizadora), Paulo Machado, Clodomiro Tavares, Moacir Sobral, Robson Lustosa e Cumpade João. A noite teve reforço dos também cozinheiros e pesquisadores Renato Valadares, Ana Lins e Gi Nacarato, de Recife e Caruaru; e de Sandrine Soares, Rafael Yamaguti e Júnior Bragança.

Para receber os comensais, o Restaurante Flor de Mandacaru fez um upgrade na decoração – que agora conta com paredes de barro e um azul vivo na parede de fundo. Na mesa, os talheres ficavam dentro de saquinhos de papelão com desenhos de mandacaru pintados à mão. A toalha de mesa com estampa de chita – um floral dark nordestino – deu o toque final à recepção.

A noite satisfez sentidos além do paladar, olfato e visão. Os ouvidos foram satisfeitos pela música de Tico Seixas e canções de Targino Gondim. O serviço de vinhos, com apoio da Rio Sol, teve assessoria do sommelier José Figueiredo.

O Jantar Magno

Apesar de preparado por um grupo imenso de experts na arte culinária, os pratos tiveram assinatura única ou de pelo menos dois chefs.

O amuse bouche, ou diverte-boca, por exemplo, foi assinado por Robson Lustosa. Sobre uma equilibrada e temperada “cama” de marmelada de umbu picante, estavam 6 unidades de friturinhas e profiteroles com recheios cremosos e repletos de pancs. Uma iniciativa que demonstra perfeitamente como as plantinhas inusitadas podem ser absorvidas em receitas simples e pequenos petiscos para receber amigos.

Entradas do Jantar Magno

Para mim, o melhor prato da noite foi a entrada fria do Clodomiro Tavares. Digo sem medo de ser feliz! Chamado de Mistura do Sertão, a bela montagem trouxe a sutileza e a riqueza de detalhes que são típicos do estilo do chef. Tratava-se de uma Galantine de surubim com Musseline de queijo de cabra, servido com Vinagrete do fruto do mandacaru e beldroega. Na decoração, flores comestíveis da caatinga, mel de abelha Mandaçaia colorido com semente de frutos de palma e geleia de amora do mato.

A outra entrada, desta vez quente, foi Fulô da Maravilha – uma paçoca crocante e deliciosa de carnes do sertão (carne de sol e de carneiro), sob um curioso purê de tucupi (sumo da raiz da mandioca) e crocante de mandioca. O prato de autoria do paulista Moacir Sobral fazia uma festa na boca com suas texturas, mas com sabores já afetivos dos sertanejos.

Pratos Principais do Jantar Magno

O primeiro que provei foi responsabilidade do paulista Moacir Sobral e do recifense Renato Valadares. Nas Margens do Velho Chico tinha um filé de cari consistente e com suave tempero, diferente da maneira que normalmente a “lagosta do São Francisco” é servida na região – normalmente com molhos e em moquecas. A farofa de licuri levou uma quantidade menor do coquinho, o que facilitou a mastigação! Como componente “cremoso”, o prato ganhou um molho adocicado de umbu – que sobressaiu entre os sabores.

Finalizando as opções salgadas, foi a vez de saborear o prato Sabor da Terra, do chef sul-mato-grossense Paulo Machado. Ele não teve medo de lidar com fortes sabores. Ele criou um molho com textura gelatinosa de umbu e serviu com purê de macaxeira, além de fatias de carneiro com molho de tamarindo (que estava equilibrado e delicioso). Na decoração, o chef usou folhas de umbu,  que têm um sabor cítrico como a fruta; espigas de bredo (ou caruru, como também é conhecido) e uma conserva de umbu, feita por um químico de alimentos da região e que mais parecem azeitonas. Incrível!

Sobremesas do Jantar Magno

Para sobremesa, Geórgia Romero pegou pesado e nos colocou para escolher entre três opções. Eu só consegui provar duas 🙁

A primeira que provei foi o Lampião e Maria Bonita, um cheesecake de queijo de cabra com base de bolo de rolo de umbu, com doce rústico e alga de umbu (uma espécie de pele feita com casca da frutinha). A sobremesa bastante leve, saborosa, ultra criativa e linda!

Outra que surpreendeu positivamente o público foi Palma e Frutas ao Vinho Rio Mar. Sim, a palma como ingrediente doce e preparada no vinho tinto, com toque de raspas de umburana, pindaíba, cravo e canela! Sobre e mistura, uma bola de sorvete de macaíba recebia farofa de licuri.

O terceiro, que eu não experimentei, foi o Bolo de Lavas ao Sol do Sertão – um bolo quente e denso de rapadura com castanha de caju, servido com sorvete de maracujá da caatinga e calda de buriti.

Foto: Chico Egídio

Não sei vocês, mas já estou ansiosa pela 2ª edição!

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