A Puro Is’Malte – Confraria Feminina de Cervejas do Vale do São Francisco – realiza, no próximo domingo (05), uma brassagem coletiva e engajada dentro das comemorações ao Dia Internacional da Mulher.

O encontro será na loja Empório St. Anthony, às 13h, e tem como objetivo não apenas reunir garotas que gostam de elaborar a própria bebida. O propósito é apoiar as ações da Pink Boots Society – ONG internacional feminina que fomenta a participação da mulherada no mundo cervejeiro através de cursos, palestras e brassagens abertas, como esta que será feita em Petrolina.

“Produziremos neste domingo uma ancestral beer, elaborada usando métodos antigos de fabricação. Mais precisamente uma Honey Porter, que usa mel. Depois de pronta, ela será vendida e o valor arrecadado será revertido para a ONG”, contou Maria Cecília Vasconcelos, uma das cinco integrantes da Puro Is’Malte.

A ação faz parte do Big Boots Brew, uma iniciativa da Pink Boots Society. No Brasil, haverá também fabricação coletiva no Acre, Amazonas, Pará, Ceará, Rio Grande do Norte, Bahia e também em Recife. No dia, terá ainda venda de outras cervejas e tira-gostos. A participação de profissionais, admiradores, degustadores e curiosos, segundo o grupo, é super bem-vinda.

Iniciativas como esta são muito importantes dentro das reflexões do Dia da Mulher, principalmente porque se entende o mundo da cerveja – e principalmente artesanal – como se fosse um reduto masculino. E, de fato, nós somos minoria, mas não passamos despercebidas! Um estudo da Nielsen indica que 35% dos consumidores da bebida é do sexo feminino. E de acordo com dados de uma pesquisa da Euromonitor, a parcela de mulheres que afirma consumir cerveja fora de casa com alguma frequência subiu de 54% para 65% entre 2011 e 2013.

Existe cerveja de mulher?

Recentemente, a Proibida foi duramente criticada por mulheres após o lançamento de uma nova linha de cervejas premium. Eram elas: Puro Malte, a Forte, a Leve e a Rosa Vermelha Mulher, que de acordo com a descrição é “delicada, perfumada e feita especialmente para a mulher”. Enfurecidas com a diferenciação, perguntaram inclusive se poderiam comprar as demais sem mostrar RG no caixa.

Isso de “cerveja de mulher” é um tabu no mundo cervejeiro. “A mulher – e qualquer pessoa, na verdade – quando envereda pela cerveja artesanal, sempre procura algo parecido com a convencional. Vemos que a mulher então começa por uma de trigo, uma cerveja mais adocicada ou frutada, enquanto os homens são mais ousados no amargor”, contou-me Cecília.

Na minha opinião, separar cervejas por sabor/gênero pode ser uma sacada comercial com fundo machista, mas o patriarcado vai mais longe (kkkkk) e influencia na formação do paladar. Sabemos que há um incentivo maior entre homens pelo consumo de bebidas amargas, desde pequenos, porque é “coisa de macho”. Até no mundo dos vinhos eu também vejo muito isso. “Rosé é vinho de mulher”, “Pinot Noir vinho de moça” etc.

Ainda bem que o mundo tá mudando, né mores? 😉

Para ler mais sobre o segmento de cerveja artesanal em Petrolina e Juazeiro, leia:
– Homebrewers: crescem em Petrolina produção e consumo de cerveja caseira artesanal
– Quer aprender mais sobre cervejas em Petrolina?

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