O suprassumo do turismo na Amazônia, para quem tem apenas um dia em Manaus (AM), é o Passeio Encontro das Águas realizado pela agência do Olímpio Carneiro. O roteiro inclui visita a uma aldeia indígena, mergulho com botos cor-de-rosa, almoço típico, a visualização do encontro dos rios Negro e Solimões e, ainda, uma parada em um criadouro flutuante de pirarucu.

Informações gerais

Este passeio sofre algumas alterações ao longo do ano. Fui na época de vazante (agosto a novembro), com a água do Rio Negro descendo cerca de 15 cm por dia, então as rotas e atrativos turísticos contemplaram locais acessíveis com o baixo nível das águas. Na cheia (janeiro a julho), a experiência – segundo os guias de turismo – é bem diferenciada. É ótimo: dá vontade de vir novamente!

Indico o roteiro para famílias com crianças pequenas, pessoas com idade mais avançada e casais. Indivíduos com dificuldades de locomoção podem ter problemas no acesso à tribo e aos igapós, pois há subidas íngremes. A duração total pode variar. No meu caso, saímos do hotel ibis Budget às 8h no carro do Olímpio, buscamos outras pessoas e partimos por volta de 9h15. A volta se deu às 16h, sem por-do-sol.

Use roupas leves (pode levar uma troca para não ficar molhado após o mergulho com botos). Não precisa de tênis. Vá de chapéu e passe filtro solar. Se quiser levar souvenirs, fique tranquilo: em quase todas as etapas o turista tem acesso a lojinhas com artesanato.

Turismo na Amazônia: Chegada ao Porto de Manaus

Estação Hidroviária de Manaus | Turismo Na Amazônia

Anúncios na hidroviária de Manaus | Turismo na Amazônia

O imponente porto demorou 17 anos, entre 1902 e 1919, para ficar pronto. É como se fosse uma “rodoviária”, repleta de ambulantes na área externa e diversos avisos com preços das embarcações e seus destinos. Na parede externa, a administração registra o nível das enchentes do Rio Negro (nessa área ainda não houve a mistura com o Solimões, formando o Amazonas) e já em 2017, as águas chegaram perto de cheia histórica, subindo 28 metros. Esse aumento no nível do Amazonas está diretamente associado ao volume de chuvas na Cordilheira dos Andes.

Nota: A margem não é das mais belas e o rio é impróprio para banho nesse ponto, devido à quantidade de combustível que acaba sendo despejado na água. Quase em todos os locais com concentração de flutuantes, ao longo das margens, têm esse problema. Ou seja: nada de se jogar sem perguntar se é seguro.

Turismo na Amazônia: Mergulho com botos cor-de-rosa

No roteiro estabelecido por Olímpio Carneiro, os botos não são domesticados e encontrá-los é uma questão de sorte. Ainda bem que deu tudo certo. As dicas para não estressá-los são várias: nada de carinho na cabeça ou no focinho. Também é seguro não fazer muito barulho – dica que, infelizmente muitos colegas de passeio não seguiram. Para diminuir ainda mais o impacto ambiental, quem passou filtro solar não pode entrar. Perfeito.

Na água, um guia nativo, treinado e nascido nas comunidades indígenas no entorno, é quem chama os mamíferos aquáticos com peixes pequenos de “lanche”. Mesmo cuidando do atrativo turístico há anos, ele já foi mordido pelos botos – que têm dentes afiadíssimos. Antes de mergulhar, uma moça amarrou um colete salva-vidas como se fosse uma bóia, pois a profundidade ali era de pelo menos 5 metros. Entrei no Rio Negro – rápido, denso e quente – e vi, de pertinho, os botos jovens e ainda acinzentados sucumbirem aos saborosos e fresquinhos chamados do guia. Essa parte é rápida, dura uns 20 minutos.

Turismo na Amazônia: Visita à aldeia Tuyuka-Utapinopona

Os Tuyuka – naturais do Alto Rio Negro desde períodos pré-colombianos – fizeram do turismo uma atividade econômica quase que simbiótica com a natureza. O formato oferecido de visitação é de encher os olhos do turista médio (e eu me encaixo nessa categoria), com nativos que falam várias línguas – inclusive o português. O pt-br, inclusive, é usado para explicar o estilo de vida na tribo, danças e rituais. A mais falada na tribo – tuyuca, pertencente à raiz de línguas tucanas, foi eleita a língua mais difícil do mundo.

Aldeia Tuyuka-Utapinopona | Turismo Na Amazônia

Aldeia Tuyuka-Utapinopona | Turismo Na Amazônia

A nudez das mulheres (que andam com colares e seios à mostra) é tão serena e natural que em poucos segundos, você esquece. Elas têm nomes indígenas e de “branco”. Para ajudar a tribo em sua subsistência, não deixe de comprar colares e outros adornos artesanais.  A visita é rápida e você participa de uma cerimônia e dança junto aos índios. Ao final, fotografias e vídeos estão liberados.

Aldeia Tuyuka-Utapinopona | Turismo Na Amazônia

Aldeia Tuyuka-Utapinopona | Turismo Na Amazônia

Ao final, você pode comer farinha, peixes (que infelizmente já estavam bem esturricados) e formigas. Comi o insetinho e esta espécie não tem muito sabor, diferente da saúva no Restaurante Banzeiro e que tem gosto de capim-limão.

Aldeia Tuyuka-Utapinopona | Turismo Na Amazônia

Aldeia Tuyuka-Utapinopona | Turismo Na Amazônia

Turismo na Amazônia: Almoço típico no Restaurante Flutuante Rainha da Selva, em Iranduba (MA) e visita ao lado Janauari, com vitórias régias

Restaurante flutuante | Turismo Na Amazônia

Restaurante Flutuante | Turismo Na Amazônia

Às margens do Solimões, está um dos almoços regionais mais completos da minha estadia (cerca de R$ 30 em grupo). Seja você vegano, vegetariano, low carb, alérgico a glúten ou lactose, dificilmente ficará sem se alimentar bem. Meu destaque vai para a grande quantidade de saladas e peixes típicos, além do tempero na medida certa para diversos paladares.

Igapós | Turismo Na Amazônia

Lagoa Janauari | Turismo Na Amazônia

Lagoa Janauari | Turismo Na Amazônia

Mico de cheiro | Turismo Na Amazônia

A poucos metros, subindo uma estrutura de madeira e passando por entre igapós (florestas inundadas) já secos, fomos até o Lago Janauari. Da fauna, vimos apenas alguns micos de cheiro pelo caminho. Infelizmente o lago estava bem baixo e vimos poucas vitórias-régias. Esta parte do passeio é bem mais interessante quando feita na cheia do rio, entre janeiro e julho. Ainda assim, a natureza quase selvagem é linda de se ver.

O famoso encontro das águas

Encontro das águas | Turismo na Amazônia

Já cansados de um dia completo de passeios, passamos, enfim, pelo encontro entre os rios Negro e Solimões. O emblemático momento que faz nascer o Amazonas é bastante interessante de ver e de se sentir. O primeiro é escuro e quente. O segundo, marrom e frio.

Enquanto o Rio Negro corre a 2 km/h com temperatura de 28 °C, o Solimões corre de 4 a 6 km/h a uma temperatura de 22 °C. As águas do rio Negro são mais ácidas, enquanto as do Solimões têm mais sedimentos. Quando se tocam, suas águas não se misturam, justamente devido a estas diferenças de densidade, temperatura e de velocidade.

Até finalmente formarem o Amazonas, correm juntos em uma bela dança por entre 6 e 10 km. Infelizmente devido às imprevisíveis e profundas águas no encontro, o mergulho é desaconselhado.

Serviço: 

Olímpio Carneiro Turismo
Central de Reservas: +55 92 3071-3158
Whatsapp: +55 92 9 9213-0561 l 99261-5035
24 horas Online: +55 92 98152-6935
E-mail: reservas@olimpiocarneiro.com.br
Site: www.olimpiocarneiro.com.br
Endereço: Av. Álvaro Maia, 251, São Geraldo, Manaus – AM, 69053-350

O Terroir fez este passeio com apoio da Olímpio Carneiro Turismo.

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