Tá indo pra São Luís, no Maranhão? Sugiro dar uma esticada de um dia e meio em Alcântara! Prometo beleza, paz e muita comida gostosa para você se deliciar.

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Pelourinho de Alcântara.

Depois que a snapchatter ThaynaraOG colocou o Maranhão no mapa com seu #PoderDoKIU, certamente os olhares se voltaram de todo o Brasil para esse estado que mistura características das regiões Norte e Nordeste. Ao chegar a à capital maranhense, localizada na Ilha Upaon-Açu (Ilha Grande, em tupi antigo), fiquei encantada com esse mix de mata dos cocais e mangues. Sem falar na Baía de São Marcos, com sua água escura do encontro dos rios Grajaú, Mearim e Pindaré com o Atlântico, por onde passei em minha ida de ferry boat a Alcântara/MA. É tudo muito diferente do que esta nordestina ribeirinha, do Sertão do São Francisco, já viu na vida.

Bora reviver essa viagem linda comigo?

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Integrante da região metropolitana de São Luís, o município de pouco mais de 20 mil habitantes é um paraíso natural, calmo e isolado, que proporciona uma verdadeira viagem no tempo. A cidade já chegou a ser, na época do Brasil Colônia, a maior da capitania do Grão-Pará. Porém quando se preparava para se tornar um grande centro comercial, o fim do sistema de capitanias e ascensão de São Luís interromperam os planos – deixando o lugar com construções pela metade.

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Igreja N. S. Carmo

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Ruína da Igreja de São Matias

As ruínas, vistas por toda a cidade, datam do século XVII. Na praça onde fica só a fachada da inacabada Igreja de São Matias (acima), por exemplo, está o único pelourinho original preservado do Brasil (!!!). Ali perto também está a Igreja Nossa Senhora do Carmo, que infelizmente estava fechada. Mas as ruínas do lado de fora compensaram: restos de dois palácios que começaram a ser construídos por barões em disputa pela hospedagem de Dom Pedro II. A visita nunca aconteceu e as obras acabaram abandonadas.

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No sábado pela tarde, a vida corria mansa e várias crianças brincavam na grama.

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Além das ruínas e praças, você pode ir até as praias semi-desertas e Ilhas, como a do Livramento – que fica a 10 min de barco; ou à Ilha do Cajual, na qual se encontra um sítio arqueológico e onde tem a revoada dos guarás (principalmente no segundo semestre do ano). Visitas que vão ficar para um segundo momento, assim como à Casa da Cultura Aeroespacial, que mostra um pouco do que encontraríamos na base de lançamento de foguetes do Programa Espacial Brasileiro (se pudéssemos entrar lá! kkk).

Pelo tempo mais curto numa manhã preguiçosa de domingo, optei pela praia de Itatinga, a 3 minutos de barco do centro de Alcântara.

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Travessa para Praia de Itatinga. Foto: Fabio Neto

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A praia é deserta, sim! Foto: Fabio Neto.

Aviso que lá não possui qualquer nenhuma estrutura turística, exceto um pequeno quiosque abandonado. Com a maré baixando, formaram-se pequenas piscinas na areia branca e fina. Na volta, passei a pé por um mangue. Limpei minhas vistas e alma naquele lugar.

“Isso é um blog de comida, cadê a comida?”

Calma, senhora.

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Lá é produzido o Doce de Espécie, de herança portuguesa, feito com coco ralado bem fininho e adoçado, sobre uma base crocante de farinha de trigo. A iguaria é muito baratinha: você compra uma bandeja com 10 unidades por R$ 10. Ouça o “croc” da minha mordida neste vídeo que não aguentei e já publiquei no Instagram do Terroir:

Em Alcântara, você poderá passar a detestar polpas congeladas de fruta depois de provar os deliciosos sucos feitos com fruta in natura, como de Bacuri (frutinha exótica da floresta amazônica, mas que tem em todo restaurante da região) e Cupuaçu.

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Suco de Bacuri

Com pouquíssima adição de água, a sensação é de beber uma geleinha. Este da foto é do modesto Restaurante da Josefa, onde comi e bebi bem baratinho e sem luxo algum – quase como uma experiência 100% local. No cardápio do self service do dia, tinha uma torta de camarão rústica e para dar aquela turbinada no feijão, a farinha d’água, super caroçuda e crocante.

A hospedagem foi uma experiência à parte.

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Fiquei na Pousada Bela Vista, a alguns minutos do centro histórico. Poucos quartos, decoração com madeira e tapeçaria bordada pela proprietária, artista plástica e chef, Dona Zinha. Tudo isso com uma vista absurdamente incrível para São Luís. Destaque para o redário dentro de um mirante, onde tirei breves cochilos sob a luz da lua cheia.

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O local é perfeito para se desligar do mundo (quase não pega sinal de celular!), respirar ar puro e se reenergizar. Infelizmente devido a problemas de abastecimento d’água na cidade, a piscina estava inacessível – o que acabou frustrando um pouco minha vontade de ficar de preguicinha no hotel. A diária, para casal, custa R$ 150.

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A natureza rústica do local se estende para os quartos. A cama de casal era de alvenaria, com azulejos no encosto. Não há frigobar e o banheiro é bem simples. De “luxo”, apenas ar-condicionado, TV de LED e chuveiro quente. O café da manhã também tem o básico: pães, frutas, café, ovos, leite… Não vá com grandes expectativas. Não fui e fiquei bastante satisfeita com o mix.

Mas o almoço…

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Que tal almoçar com esta vista?

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A melhor experiência gastronômica da viagem!

Pedi uma Gurijuba Alcantarense: filés do peixe do litoral norte brasileiro, bastante firme e com forte sabor mineral (achei que fosse peixe de rio!), ao molho de camarão. As guarnições eram simples, porém deliciosas: arroz de camarão, feijão preto, salada e a farinha caroçuda <3. Dá tranquilamente para três pessoas e custa por volta de R$ 80. Pena que a cozinha só funciona até as 19h, seria uma ótima pedida de jantar na cidade.

Acesso
O passeio por lá pode ser feito em um só dia e a pé, saindo de embarcação do Cais da Praia Grande, no Centro Histórico de São Luís. É mais barato, porém você fica à mercê da maré (a maior em variação do país e a terceira do mundo!), das pororocas e das chuvas…

Portanto optei por ir de carro e fazer a travessia de ferry boat, saindo do Terminal de Ponta de Espera até Cujupe. Um carro de passeio com duas pessoas sai por volta de R$ 80. Por favor, programe-se bem com horários de ida e volta e compre antecipadamente as passagens, para não perder horas da fila de ida e volta. #ficadica.

A viagem dura cerca de 1h30 e não tem conforto nenhum, mas tem vistas extraordinárias para as ilhas no caminho (pra mim, compensou a ponto de não sentir falta). Do porto até a cidade são cerca de 50 km em estrada asfaltada e ladeada por vegetação nativa. Lindo demais!

Bônus:

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1. Pelo caminho entre Cujupe e Alcântara, vi vários trechos de asfalto cobertos de camarão. Certamente iria para as feiras das cidades vizinhas.
2. Se você tiver sorte (não tive), poderá curtir um verdadeiro reggae roots em uma das praças da cidade no sábado pela noite. A festa fica boa, segundo os moradores, a partir das 21h.

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3. Assim como em São Luís, há fachadas com azulejos portugueses lindos.
4. Agora em Maio, acontece a Festa do Divino Espírito Santo – ou só Festa do Divino. Ótima oportunidade de visitar a cidade!
5. Adeptos de religiões afro vão encontrar bastante força na cidade, inclusive com apresentações do Tambor de Crioulo. Infelizmente não aconteceu nenhuma durante minha passagem!

Onde se hospedar?

Você pode ficar na Pousada Bela Vista ou permanecer em São Luís, em caso de bate-volta. Para saber as melhores opções em hospedagens na capital maranhense, clique aqui!

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