Já vi o Pelourinho no Carnaval, cheio de foliões meio hipsters à espera do show de Baiana System. Já estive outra vez com as ruas lotadas de Filhos de Gandhy e seus turbantes e colares, com sons de afoxé e aromas de acarajé pelo ar.

Vista do Pelourinho

Mas nunca havia dedicado uma tarde a vivenciar o local, suas particularidades, cores e, principalmente, os sabores da gastronomia do Recôncavo Baiano.

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Até que 2017 me trouxe mais este presente e pretendo enumerar, a seguir, cinco dicas do que fazer e onde comer no Pelô, em Salvador.

Almoce e aprenda sobre a região no Museu da Gastronomia Baiana

Pelourinho | Museu da Gastronomia Baiana

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Quer viajar pela história e o sincretismo religioso em Salvador? Um dos melhores e mais saborosos caminhos passa pela compreensão da culinária local.

Apresentando os principais elementos dos peculiares costumes alimentares da capital baiana e entorno, o Museu da Gastronomia Baiana (MGBA) foi aberto em 2006. Primeiro do gênero na América Latina, o MGBA faz parte do complexo SENAC Pelourinho, que ainda tem em sua estrutura um teatro, uma arena, uma loja de souvenir e um restaurante.

Pelourinho | Museu da Gastronomia Baiana museu-gastronomia-bahia-pelourinho-dende

Na exposição permanente, é possível ver detalhes da formação dos hábitos alimentares na região, uma explicação rápida sobre as comidas sagradas do candomblé, maneiras de comer, etc. Tudo retratado por fotógrafos renomados. Há, ainda, instalações específicas sobre o acarajé, o dendê e a mandioca – que eu e muita gente acreditamos ser o grande ingrediente brasileiro.

Senti falta, no entanto, de um retrato mais amplo do que se come no restante do estado, de Norte a Sul. A carne de carneiro e de bode, a paçoca de carne de sol e charque, os peixes do São Francisco, a carne de fumeiro, o café… tudo isso ficou de fora.

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Depois de compreender a história da gastronomia do recôncavo, vem a parte literalmente mais gostosa: o almoço no buffet. Tem acarajé, abará, várias moquecas e ensopados com os mais diversos mariscos e peixes, comida mais específica de candomblé como efó, etc. Você come à vontade por R$56. Vá com fome!

Funcionamento: de segunda a sábado, das 09h às 17h. Entrada gratuita. 

Siga para a Fundação Casa de Jorge Amado

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Depois do almoço, siga para a Fundação Casa de Jorge Amado. Diria que se trata de um bom local para começar a conhecer detalhes da vida desse grande escritor brasileiro. Fica em um grande casarão azul, de frente para o Largo do Pelourinho.

Lá estão guardados os acervos bibliográficos e artísticos do baiano; além de escritos e fotografias de sua (segunda) esposa, dona Zélia Gattai, com quem conviveu até os seus dias finais. A fundação foi inaugurada em 1986, com a bênção do casal.

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Na minha opinião, o local serve como “aperitivo” para uma visita à verdadeira casa de Jorge Amado e Zélia Gattai no barro do Rio Vermelho, com suas instalações multimídias, jardim, sapos e símbolos do candomblé.

Funcionamento: Segunda a Sexta: 10h às 18h; Sábado: 10h às 16h. Entrada: R$ 5 para pessoas acima de 5 anos. Às quartas, o passe é livre e gratuito para todos. 

Tome uma dose de cachaça no Cravinho

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Fotos: Divulgação e Correio da Bahia

Fundado na década de 80 com estilo “taberna” – baixa iluminação, paredes de pedra e mesas de madeira – o bar pode até parecer mais uma atração turística, mas é visitada MESMO pelos soteropolitanos.

O local é mega afetivo para o Fábio, que sempre pede a infusão de cachaça, cravo, mel e limão que leva o nome do bar. Custa R$ 4, é uma delícia e um convite ao exagero – portanto, vá com calma!

Do bar saem bastante, também, drinks de gengibre e um outro chamado Gabriela, com cachaça, limão, mel, cravo e canela. Dá para pedir alguns petiscos – como a moela – e caldos, e asseguro que é tudo muito saboroso!

Coma alguns quitutes vendidos pelas baianas de acarajé

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Tudo bem se você não é de cachacinhas. Tem outras opções! Procure uma banca de acarajé e saia do óbvio, provando as cocadas de diversos sabores. Tem com amendoim, saborizada de maracujá, com cravo… Vai da criatividade da baiana.

Ou peça uma punheta, que pode ser seca ou molhada.

CALMAAAA! Eu explico.

“Punheta” é o nome safado do doce também conhecido com “Bolinho de estudante”. Feita à base de tapioca e coco, a iguaria pode ser vendida “molhada” (com uma camada de açúcar e canela) ou sem nada; ou seja, “seca”. Se você quiser evitar constrangimentos com baianas que já não chamam a iguaria da forma mais, digamos, danada, vá pela outra alcunha.

Saboreie um sorvete artesanal com vista para o por-do-sol no Elevador Lacerda

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A Baía de Todos os Santos, desenhada pelo Elevador Lacerda em pleno por-do-sol, é um cartão-postal vivo, marcante e inesquecível. Toda vez que você rever uma foto do local, vai sentir novamente a brisa no rosto, o acalento do sol de fim de tarde e os aromas quentes que pairam nas redondezas. Sem dúvidas, uma parada obrigatória em uma visita turística a Salvador.

Só cuidado com os ambulantes, que ficam à espreita para te dar um colar ou pulseira “de presente” e fazer você se sentir na obrigação de pagar alguma coisa pelo “mimo” (sério). Evite contato visual (risos)!

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Foto: Vivi in Food / @viviinfood

Não que precise, mas para adoçar ainda mais essa experiência, vá direto até o balcão da Sorveteria A Cubana e peça o sabor de sua preferência. Garanto: você não irá se decepcionar. Os nativos adoram a cremosidade e as opções mais gourmet dos gelados artesanais. É bom saber que essa é a sorveteria mais antiga da cidade, tendo sido fundada em 1930 na Praça da Sé, juntamente com a reinauguração do Elevador Lacerda – que passou por uma ampliação e foi reaberto naquele ano. Ela recebeu esse nome por ter sido fundada por um cubano radicado no Brasil, mas hoje pertence a uma família de origem espanhola.

Se quiser ir além em outras opções de onde comer fora do Pelourinho, sugiro ler esta matéria:

 

Ainda planejo voltar ao Pelourinho para comer nos restaurantes locais. Mas quero fugir dos preços turísticos! Você tem alguma dica? Deixe suas sugestões nos comentários!

 

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