O Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses é um dos nossos tesouros brasileiros: um grande deserto à beira-mar, estampado por lagos de um azul profundo e pequenos arbustos. O destino turístico fica a 260 km de São Luís, tem 1.500 km² e 70 km de praia. Seu principal ponto de entrada é o município de Barreirinhas – onde me hospedei nas duas vezes em que estive lá.

Quem quer rotas mais extensas pode fazer trilhas guiadas por diversas agências na região, com duração de até 7 dias. Mas em 48h você faz os passeios obrigatórios: as dunas propriamente ditas, pertinho de Barreirinhas; e a volta pelo Rio Preguiças até a sua foz, passando por pequenas comunidades.

Quando ir aos Lençóis Maranhenses?

Em Maio começa a melhor época do ano para se visitar o Parque. Digo “melhor época” porque entre maio e agosto, as lagoas estão bem cheias após um longo período de chuvas no Meio Norte. Os meses menos recomendados estão entre novembro e janeiro, quando eu também fui e enfrentei alguns perrengues (conto lá no final).

Minha primeira ida ao oásis maranhense foi em Junho de 2016 – alta temporada. Como eu já estava em São Luís, contratamos o passeio através da Agência In Novar Tur, atualmente com sede no Hotel Ibis. Ela preparou os roteiros para sábado e domingo, com todos os custos de transfer e roteiros inclusos.

Saímos às 7h30 do sábado e chegamos em Barreirinhas às 11h40. A cidade estava em polvorosa, com ‘”jardineiras” – caminhonetes 4×4 com assentos na carroceria que levam até as dunas – repletas de turistas. Na segunda vez, fui em Dezembro do mesmo ano, no auge da baixa temporada.

Onde se hospedar em Barreirinhas?

Em Junho, como a cidade estava lotada na alta temporada, não tínhamos muitas opções. Mas tivemos a sorte de conseguir uma vaga na Pousada Lins. Simples, mas com piscininha; confortável; na rua principal da cidade; bem próxima ao calçadão de bares e restaurantes e separada das margens do Rio Preguiças por uma pracinha. Perfeito para quem só vai usar a hospedagem como suporte para fazer os passeios, sem requintes.

Na baixa temporada, a vibe foi completamente diferente. Como desta vez fomos de carro, escolhemos uma pousada mais aconchegante, pois a intenção era descansar. Pegamos uma acomodação standard na Pousada do Rio – às margens do Rio Preguiças.

O quarto é simples, mas tem tudo o que você precisa: uma cama confortável, ar condicionado, frigobar, banheiro com água aquecida, TV e uma varandinha com rede. O café da manhã é no restaurante anexo – Pimenta de Cheiro – com variadas opções de sucos, bolos, frutas, tapioca, cuscuz e outras iguarias regionais. Isso sem falar na piscina, que só não usei porque preferi tomar banho nas águas do Preguiças. O rio tem esse nome porque como seu curso é repleto de curvas, a correnteza segue lenta até a foz.

A paisagem é idílica e perfeita para um “romantic getaway”. Até avistamos barquinhos de pescadores passando. Neste dia, sem correrias, ficamos a tarde toda aproveitando a natureza.

O que fazer nos Lençóis Maranhenses

Passeio até as Dunas

Não há taxa de entrada no Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, mas há alguns valores a serem cobradas caso você já não tenha contratado pela agência (nosso caso).

Uma vez na jardineira, seguimos até a travessia de balsa pelo Rio Preguiças. Após a passagem dos veículos, seguimos por 12 km (e cerca de 20 min) até as grandes dunas. No nosso caso, o guia não deu muitos detalhes – mas você pode perguntar, por exemplo, como aquela areia toda foi parar ali. Há hipóteses levantadas por cientistas de que a grande extensão arenosa foi formada por sedimentos trazidos pelo Rio Parnaíba/PI e que se depositaram, ao longo de 10 mil anos, na região costeira do Maranhão.

A paisagem que vai se abrindo aos poucos é impressionante. A vegetação, de restinga, vai sendo consumida pela areia branca até que você se depara com uma duna imensa. Sim, você vai subir a pé. E se eu fosse você, capricharia no treino cardio antes de ir.

Lá, tudo o que você vai encontrar será areia e muitas lagoas. As mais famosas, Azul e Bonita, ficam bem próximas à chegada. A partir daí, você pode seguir o guia de turismo (e se cansar muito) ou ficar nas duas primeiras piscinas naturais, porque não há realmente diferença entre elas.

Muita gente – pelo menos no meu grupo, formado por pessoas com mais de 40 anos – reclamou da ausência de estrutura turística nas dunas. Não há banheiros públicos, restaurantes, nada além da natureza selvagem. Sinceramente? Ainda bem. O impacto ambiental seria muito maior. Assim sendo, leve sua água, seus lanchinhos e também seu saco de lixo na mochila. Leve também filtro solar, óculos escuros e chapéu; pois a ausência de sombras e incidência de luz são severos com quem tem pele sensível ou astigmatismo.

Carregue também sua câmera e vá com bastante paciência, pois estamos na alta temporada e vai ser difícil encontrar um cenário para fotos sem coadjuvantes ao fundo.

Lá nas dunas, ficamos até o por-do-sol – que merece nossos mais sinceros aplausos.

Passeio pelo Rio Preguiças

Logo cedo do domingo (roteiro da alta temporada), foi a vez da jardineira da agência nos levar para o maravilhoso passeio pelo Rio Preguiças. O trajeto é feito de voadeira – pequena lancha com capacidade para até 10 pessoas.

A primeira parada é no Povoado de Vassouras, onde você pode comprar artesanato local (inclusive peças feitas com palha do Buriti) e alimentar macacos-prego, que lotam o entreposto.

A segunda parada é na comunidade do Mandacaru, pela qual fiquei apaixonada. Logo no pier, você é surpreendido por um quiosque  – a Banca do Domingos – com diversas cachaças e um fogão improvisado, sobre uma duas vigas de madeiras. O peixinho é frito ali.

Entrando na vila você encontra várias lojinhas pequenas e algumas sorveterias com sabores exóticos para uma sertaneja, mas típicos da região: bacuri, cupuaçu, graviola, buriti, tapioca e açaí são as melhores pedidas.

Ao final, um bônus: a vista do Farol de Preguiças ou Farol de Mandacaru, com subida de 160 degraus e uma vista deslumbrante de toda a região.

Finalizando o roteiro de ida, almoçamos um peixe serra de boas no restaurante da Pousada do Caburé e fizemos um passeio de quadriciclo até a foz do Preguiças.

O cenário, mais uma vez, é maravilhoso. Lá, descansamos um pouco nas redes em frente aos quartos da hospedagem e retornamos ao hotel às 15h.

Onde comer em Barreirinhas

Antes de sair para o passeio às dunas, peça um Robalo com Crosta de Alho (R$ 89,90) do Restaurante O Bambu (1º no TripAdvisor), no calçadão à beira-rio. Acompanhado de batatas fritas e legumes,  prato é tão saboroso que alimenta até a alma.

Na volta do passeio às dunas, não deixe de provar uma tapioca fresquinha – preparada por mulheres nativas moradoras do entorno da travessia.

Pela noite, peça qualquer coisa no cardápio do Restaurante A Canoa (2º lugar no TripAdvisor). Do primeiro andar, você vê o movimento do Calçadão e ouve boa música ao vivo num volume super agradável. Eu poderia ter pedido algo mega regional, como os peixes ou crustáceos da região, mas a minha escolha foi Pizza Paris-Roma (R$ 49,90/grande), com mussarela de búfala, presunto Parma, tomate seco e manjericão. Massa fininha e crocante nas bordas, recheio farto. O vinho branco eu já não lembro qual era.

Ao final da noite, você pode passear um pouco e não será incomodado por ambulantes.

O perrengue em Atins e o Camarão do Antônio

Na visita em baixa temporada, por ausência de quorum (haha), não conseguimos refazer o passeio do Rio Preguiças e fomos convencidos por guias locais a fazermos a viagem de carro até a comunidade de Atins, pelo meio do Parque (e não pelo Rio). Sem muitas informações, acabamos nos “arrependendo” um pouco.

Lago quase vazio, encontrado após cerca de 2h de procura…

Arrependimento com aspas porque, primeiro, não foi a escolha mais confortável: é quase uma hora até o vilarejo, saculejando sobre o veículo 4×4. Como os lagos estavam secos, avançamos ainda mais dentro do parque – e esse nem era o nosso objetivo quando o dia começou. Enfim: choveu e atolamos DUAS VEZES (sim!) antes de chegarmos a um lago, quase no meio do Parque.

Após alguns minutos admirando a paisagem (que é linda de todo jeito), só fomos comer às 15h. Aí veio a parte boa do dia.

Provamos o delicioso camarão do Antônio, do Restaurante Canto dos Lençóis. Ele é cunhado da Luzia, que tem o restaurante mais famoso da região e que serve o mesmo prato: o crustáceo com temperos secretos e assado em uma chapa. Quase pedimos uma segunda porção, mas tínhamos que partir pelo adiantar do dia.

Aí acabou, de novo, a parte boa. 🙁

Na volta até Barreirinhas, pegamos um temporal assustador – que nos acompanhou na road trip de retorno a São Luís.

Fica a dica: peça informações detalhadas de cada passeio antes de partir 🙂

RESUMÃO

QUANDO IR:
De maio a agosto, quando as lagoas estão cheias.

COMO IR
De van, via agência | In Novar Tur. Saída às 7h no sábado e volta às 17h30 no domingo.
De carro, pegue a BR 135 até o município de Bacabeira. Siga pela rodovia MA 402 até Morros. Em seguida, pegue a Translitorânea até Barreirinhas. 70% do trajeto é bem sinalizado inclusive durante a noite, com demarcações no asfalto.

ONDE SE HOSPEDAR
Pousada Lins
Pousada do Rio

ONDE COMER:
O Bambu (Barreirinhas)
A Canoa (Barreirinhas)
Camarão do Antônio (Atins)

As duas viagens do Terroir aos Lençóis Maranhenses tiveram apoio da Agência In Novar Turismo e de hospedagem na Pousada Lins e Pousada do Rio.

O que você achou deste assunto? Comente!

Comentários