Já mostrei em matéria especial sobre o Mercado Ver-o-Peso o quanto Belém do Pará pode ser apaixonante, com seus aromas, contrastes e sabores. Fundada há 401 anos, a capital mais chuvosa do país tem programação para todos os estilos. A seguir, aponto locais onde comer e beber pela cidade, com opções para quem curte desde vida noturna a culinária típica, com contato com a natureza.

Observação: Diferente da programação turística, com o roteiro gastronômico não foi possível economizar taaanto, mas ideia foi fazer algo o mais low budget possível. 🙂

1. Box da Lúcia (nº 37), no Mercado Ver-o-Peso

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Boatos dão conta que é na Lúcia que se come o melhor e mais fresco açaí com farinha e peixe – seja ele Dourada, Pirarucu ou Filhote – de toda a cidade. O prato individual custa R$ 35, com peixe, arroz, feijão, farinha e salada. A tijela de açaí é por fora. A refeição é geralmente acompanhada de uma CERPA gelada, ou de um suco denso de graviola, cupuaçu, bacuri… Dizem, ainda, que o camarão empanado é uma delícia, mas ficamos devendo.

2. Estação das Docas

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Construído nos anos 2000, no antigo porto fluvial de Belém, a Estação das Docas é um amplo e sofisticado complexo turístico e cultural, com opções de artesanato e gastronomia. É interessante apontar que muita gente aproveita a chegada ao final da tarde para fazer os passeios pelos rios e pela Baía de Guarajá, que permitem ver as luzes da cidade e curtir a música local. Mas por sorte, um talentoso grupo de carimbó da Ilha do Marajó (não anotei o nome) estava se apresentando em terra firme.

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Para um fim de tarde, comece pela recomendadíssima e tradicional Sorveteria Cairu. Nós dois fomos de sorvete de castanha com cupuaçu (R$ 7 a bola). O jantar foi de petiscos na Amazon Beer: fomos de Pastel de Tacacá (R$ 36, 20 unidades, recheado de camarão com jambu no tucupi), queijo marajoara na chapa e pedimos várias doses da levíssima e refrescante Witbier de Taperebá (300 ml, R$ 7,50), mais conhecida no Nordeste como siriguela. Lá dentro, compramos barras de chocolate produzidas pela Universidade Federal do Pará.

3. Saldosa Maloca, na Ilha do Combu

 

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Vá de táxi até a Praça Princesa Isabel, no bairro da Condor. De lá, sempre tem barquinhos de saída para a llha do Combu, uma das maiores das 39 ilhas belenenses. Se estiver de carro, saiba que terá de pagar R$ 10 pela diária aos guardadores no local. A travessia é rápida, nem chega a 15 minutos, e custa mais R$ 10 ida e volta. Dica: fique atento à possibilidade de chuva para não ficar na mão e dê preferência às barcas com itens de segurança. É curioso ver os postos de combustíveis no meio do rio.

A Saldosa (assim mesmo, com errinho) é bem adaptada para receber turistas. Tem uma lojinha repleta de produtos típicos e artesanato chamada Curupira, redário e de lá, dá para fazer uma trilha de 700 metros que dá para fazer sem acompanhamento de guias de turismo.

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Pedimos o Camarão à Saldosa Maloca (crocante e saboroso) e, como prato principal, Pescada à Moda do Zé – uma peixada branca assada. Para acompanhar, mais Cerpa e as drinks da casa  – feitos com com cachaça local. De sobremesa, pedimos o Brigadeiro do Combu (R$ 6), feito com cacau produzido na própria ilha. Apesar de ter achado tudo delicioso, achei os preços bastante salgados. No total, gastamos R$ 180.

4. Tacacá do Renato, na Av. Duque de Caxias

Gostoso e barato!

Lá, provei pela primeira vez o Tacacáum ensopado feito com tucupi (sumo extraído da raiz da mandioca brava) da casa, camarão, goma de mandioca e folhas de jambu, que dão uma gostosa dormência nos lábios, língua e garganta. A porção (R$ 13) é farta, vem bem recheada com camarões e pela quantidade de mulheres fit enfileiradas na barraca de rua, a receita não é gordinha. 🙂

No Renato, também provei pela primeira vez a Maniçoba (R$ 16), uma “feijoada” em que se troca o feijão por maniva, um preparo com as folhas da mandioca.

E pense numa receita trabalhosa!

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O lance é que antes do preparo oficial, essas folhinhas precisam ter passado por um cozimento de 7 ou 8 dias ininterruptos, para que as altas taxas de ácido cianídrico (sim) baixem a um nível seguro. Medo, né? E na hora de misturar com as carnes e temperos, geralmente fica mais uns 2 ou 3 dias no fogo. Depois de absorver toda a gordura dessas proteínas, a maniva verde-clara fica escura, um verde-musgo. Os acompanhamentos são arroz branco, farinha e camarão.

5. Bar Meu Garoto, no bairro da Campina

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Fiquei ressabiada ao chegar.

Localizado numa esquina meio escura e com ruas estreitas, o bar é bem pequeno. Mas logo fui surpreendida positivamente pelo ar boêmio e pela personalidade. A trilha sonora, no dia, era de clássicos dos anos 80 e 90. Nas paredes, uma cabeça de boi e quadros descontraídos: em destaque, e um que comparava o dono – Leonardo Porto – a grandes inventores e pensadores da humanidade. Não há mesas: o lance é ficar pela calçada ou sentar em bancos altos, beirando as bancadas. Nas prateleiras, mais de 200 rótulos de cachaças, grifadas e locais. Mas nenhuma faz mais sucesso que própria Cachaça de Jambu Meu Garoto, criada por Leonardo em 2011. A dose custa R$ 6 e vem acompanhada de um caldinho, que ajuda a dormência na garganta a passar. Se você não aguentar o tranco, mas ainda assim quiser ficar “bebinho(a)” gastando pouco, troque pela cachaça de bacuri – bastante saborosa. Se empolgou pra ir? Fique atento: o local fecha aos fins de semana!

6. Portinha, na Cidade Velha

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É isso mesmo. Uma portinha, sem placa, numa rua estreita da Cidade Velha, esconde sabores incríveis e ultra-regionais. A diminuta lanchonete serve pratos típicos da culinária paraense, bolos recheados e sucos regionais, mas o forte são os salgados (R$ 7), com recheios que levam camarão, pirarucu, jambu, pato no tucupi e queijo cuia! Com apenas duas mesas e poucas cadeiras, não pense em fazer hora ou em conforto. Tive sorte, porque passei muito rápido para comprar e levar para o hotel. O atendimento, aliás, não foi lá o mais simpático que já recebi. Ao contrário do Meu Garoto, a Portinha só abre aos fins de semana – de sexta a domingo, a partir das 17h.

Fiquei imaginando uma Portinha sertaneja, um salgado recheados de cari e surubim, de carneiro com queijo coalho, carne de sol, de moqueca de peixe… nham! 

7. Manjar das Garças

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Foto: Divulgação

Tá sem tempo de provar tudo o que você precisa da culinária belenense? Então considere pagar o buffet (R$ 75) do Manjar das Garças, o restaurante do Mangal das Garças, que fica sobre o Memorial da Navegação e com vista para o parque ou o Rio. Lá você tem o pato no tucupi, maniçoba, receitas com pupunha, pirarucu, filhote, filé mignon com queijo de búfala da Ilha do Marajó, muita salada e sobremesas com bacuri, cupuaçu, além de muita castanha-do-Pará. Peço perdão por não ter fotos, pois meu prato ficou uma bagunça! A bebida é fora do valor de buffet e você tem opções de sucos regionais, cervejas da Amazon Beer, cachaças e vinhos (que não achei tão baratinhos). E atenção: vai ter cobrança de couvert artístico!

8. Black Dog English Pub, no Umarizal

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Pub mesmo: escura (bem mais clara só na foto, pra você ver bem os detalhes! haha), com paredes e tetos com nomes e recados, quadros com temática rock, música ao vivo, hostess bonita na entrada, além de cervejas, chopps e hambúrgueres artesanais. Só chegue cedo se for num sábado: corre risco de você ficar sem ter onde sentar!

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Para uma próxima visita (e com orçamento maior), ficam Remanso do Bosque – entre os 50 melhores restaurantes da América Latina e única fora do eixo Rio-São Paulo nessa lista – e o Remanso do Peixe. Ambos são dos irmãos Felipe Castanho e Thiago Castanho.

E aí, o que acharam das dicas? <3

Ficamos hospedados no ibis Budget Belém, mas você pode checar aqui quais os hotéis campeões de satisfação dos turistas no TripAdvisor!

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