Fui a Salvador/BA nada menos que 4 vezes este ano em viagens repletas de incríveis experiências gastronômicas. Numa delas, inclusive, quando cobri o MESA Ao Vivo Bahia, pude conhecer os grandes chefs atuantes na capital baiana e mergulhar nesse universo em que comida, cultura e religião se encontram. Portanto, já estava na hora de escrever algo a respeito aqui no Terroir.

Como a cidade guarda delícias a cada esquina – creio que Salvador seja o 4º ou 5º polo gastronômico do país – seria impossível enumerar todos os locais legais. Mas há 6 pontos que, pra mim, contam a história da culinária baiana e mostram o que ela tem de melhor a oferecer. Não necessariamente restaurantes, não necessariamente tradicionais, não necessariamente modinha, muito menos a seleção dos melhores. Apenas os locais por onde passei.

Prontos?

Antes de começar a leitura, dê o play pra entrar no clima:

A vivência local

FEIRA DE SÃO JOAQUIM

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Costumo dizer que para conhecer o povo de um local e seus costumes, você precisa visitar a feira livre da cidade. Em Salvador, é mandatório passar na Feira de São Joaquim para vivenciar uma Bahia crua e verdadeira. Num mesmo local, você vê artesanato do candomblé, produtos religiosos, incensos, remédios milagrosos, bijuterias de orixás (comprei), temperos, cachaças, garrafas de dendê, pimentas, camarões, frutas do Recôncavo, carnes, peixes e, principalmente, pessoas. De todos os tipos. Uma baianidade nagô latente e contagiante, uma experiência antropológica sem aquele show pra turista do Pelourinho e pessoas querendo te vender souvenir. Dito isso, aviso ainda: não é lugar de frescura. Alguns ambientes são um tanto sujos, mas nada de novo quando se fala em feira, né? Eu achei tudo lindo. Talvez eu tenha um olhar romântico.

Onde: Galpão de Água de Meninos, Cidade Baixa
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CEASINHA DO RIO VERMELHO

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Para quem não tem tempo de fazer uma imersão na cultura baiana, ficando feliz em “molhar os pés”, o Ceasinha é uma ótima pedida. Antes um Centro de Abastecimento no bairro do Rio Vermelho, o local passou por uma revitalização e em 2014, reabriu com outra pegada. São diversos boxes com empórios ultra gourmetizados e produtos de linha premium, floriculturas, peixes raros e hortifruti selecionado. Lá vi uma loja da AMMA, com seus deliciosos chocolates de Ilhéus/BA. Lá também tem boxes com itens regionais, souvenirs e artigos religiosos, como folhas para banhos. Tudo com ares de sofisticação, eu diria. Parece um mini-shopping. Fiquei especialmente impressionada com a ala de restaurantes, que tem desde comida sertaneja baiana, do litoral, lanches diferentes e até bares com vinhos e cervejas premium. Ideal para um passeio matutino seguido de almoço, ou para turistas em visita rápida à cidade.

Onde: Av. Juracy Magalhães Júnior, 1624, Rio Vermelho
http://www.mercadodoriovermelho.com/
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NOVO MERCADO DO PEIXE

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Eu não consigo pensar em local melhor para circular/badalar, num sábado à noite, do que esse novo espaço do Rio Vermelho. Reinaugurado em abril, recebe casais, solteiros e solteiras à procura de ~emoções, famílias, gente de skate e patins em seus 11 restaurantes, com a mais diversas propostas. Tem DJ ao vivo, banda, barzinho & violão, cerveja gelada, sorveteria, bar temático da Chapada Diamantina… Como éramos apenas dois, escolhemos o Caminho de Casa, com sua vista para o mar e comida de boteco. Petiscamos o famoso bolinho de feijoada, recheado com couve e paio, acompanhado de caipiroska e doses de cachaça “meladinha” – feita com mel e limão (foto). O local estava lotado e, ainda assim, o atendimento foi atencioso.

Não tá a fim de nada disso? Cruze a avenida e vá comer o Acarajé da Dinha.

Onde: Rua Monte Conselho, Rio Vermelho
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Os restaurantes

PARAÍSO TROPICAL

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Fui numa terça-feira de Carnaval, então imagine o quanto o local ficou lotado. Mas o chef Beto Pimentel não fez feio à fama de receber pessoalmente os seus clientes: passou, ainda que rapidinho, para falar com nossa mesa. De entrada, pedimos uma vinagrete de peguari – um molusco bastante comum na Baía de Todos os Santos. Para beber, caipiroska com coco e frutas. Na refeição principal, fomos de grelhado de peixe, camarão, polvo e frutas da estação. Tudo tinha um sabor agridoce e único. O mais legal é que grande parte de seus ingredientes vêm de um pomar próprio, hoje com cerca de 6 mil pés de frutas, legumes e ervas.

Onde: Rua Edgard Loureiro, 98 – B – Cabula
www.restauranteparaisotropical.com.br
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CASA DE TEREZA

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Fiquei impressionada com a estrutura. Logo de cara você entra no Salão Yemanjá – dotado de uma elegante rusticidade (isso existe?) e com obras de arte que misturam elementos católicos e do candomblé. Nas mesas de madeira, cerâmica e pinturas dessa cultura de sincretismo religioso. Para mim a sala mais emblemática, pois mostra do que é feita a cozinha da chef Tereza Paim, uma das mais celebradas da Bahia. No cardápio, ela orienta para os dias dos orixás; deixa claro que reaproveita resíduos da cozinha e que procura insumos em locais a, no máximo, 40 km de distância de Salvador – reduzindo assim o impacto ambiental de sua atividade. Já apaixonada por essa proposta, pedi a Moqueca de Polvo, que chegou fumegante à mesa. Ao final, passei na Vendinha de Samuel e Totó – onde são comercializadas iguarias baianas. Só amor pra esse lugar.

Onde: Rua Odilon Santos, 45 – Rio Vermelho
http://casadetereza.com.br/
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Sertão Bom

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Existe um pouco de sertão nesse litoral. Em frente ao mar e dentro desta comedoria, com decoração que remete às casas da caatinga, dá pra comer carne de sol, baião de dois e ouvir um bom forró. Mas lá eu fui feliz de dia, comendo carne de fumeiro. Para quem não sabe, são cortes de porco salgados e defumados vagarosamente no moquém. O preparo é associado à região do Recôncavo, especialmente à cidade de Maragojipe – a 133 km de Salvador. Nos acompanhamentos, mais surpresas: a farofa d’água com cebola e cheiro verde! No mais, achei os preços bem acessíveis para um restaurante tão bem localizado.

Onde: Av. Octávio Mangabeira, 321 – Pituba
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Onde se hospedar em Salvador

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