A tragédia no Museu Nacional deixou a população brasileira pensativa sobre os cuidados com a memória cultural e científica no país. Entre muitos outros, acendeu uma questão: será que nós, enquanto público, estamos dando devido valor a essas iniciativas no país? Estamos visitando museus e apoiando, financeiramente, estas instituições?

Como acredito que comer é cultura e que o fazer culinário é um patrimônio imaterial a ser mantido, decidi reunir, num só post, indicações para os principais museus de gastronomia no Brasil. Como não visitei a maioria (por não ter visitado as cidades-sede), peguei algumas referências na blogosfera.

Museu da Gastronomia Baiana, Salvador (BA)

Apresentando os principais elementos dos peculiares costumes alimentares da capital baiana e entorno, o Museu da Gastronomia Baiana (MGBA) foi aberto em 2006. Primeiro do gênero na América Latina, o MGBA faz parte do complexo SENAC Pelourinho, que ainda tem em sua estrutura um teatro, uma arena, uma loja de souvenir e um restaurante.

Pelourinho | Museu da Gastronomia Baiana

Na exposição permanente, é possível ver detalhes da formação dos hábitos alimentares na região, uma explicação rápida sobre as comidas sagradas do candomblé, maneiras de comer, etc. Tudo retratado por fotógrafos renomados. Há, ainda, instalações específicas sobre o acarajé, o dendê e a mandioca – que eu e muita gente acreditamos ser o grande ingrediente brasileiro. Senti falta, no entanto, de um retrato mais amplo do que se come no restante do estado, de Norte a Sul. A carne de carneiro e de bode, a paçoca de carne de sol e charque, os peixes do São Francisco, a carne de fumeiro, o café… tudo isso ficou de fora.

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Depois de compreender a história da gastronomia do recôncavo, vem a parte literalmente mais gostosa: o almoço no buffet. Tem acarajé, abará, várias moquecas e ensopados com os mais diversos mariscos e peixes, comida mais específica de candomblé como efó, etc. Você come à vontade por R$56. Vá com fome!

Praça José de Alencar, 13/19, Largo do Pelourinho, Salvador (BA). Funcionamento: de segunda a sábado, das 09h às 17h. Entrada gratuita. 

Museu (Vivo) do Cacau na Fazenda Primavera, Ilhéus (BA)

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Foto: Aos 4 Ventos

Em Ilhéus, há iniciativas museológicas que reúnem documentos, fotografias, objetos do ciclo do cacau. Há, também, empresas como a Chocolate Caseiro de Ilhéus – que faz um tour muito mais voltado à degustação. Na cidade marcada pela cultura cacaueira, o interessante é vivenciar a história através de fazendas, como a Primavera.

Na propriedade, a 20 km da cidade, o proprietário Virgílio Amorim abriu as porteiras para os turistas depois que a vassoura-de-bruxa quase acabou com a principal fonte de renda da região na década de 80. No pequeno museu da sede, documentos, fotos e objetos contam a história da família misturada com a saga do cacau. A Fazenda Primavera foi, inclusive, um dos cenários da novela global Renascer – que foi ao ar em 1993. Na plantação, que já foi set de gravação, o turista pode conhecer a famigerada vassoura-de-bruxa.

Texto: Aos 4 Ventos

Rodovia Jorge Amado (BR-415), km 20. As visitas são agendadas diretamente com o Virgílio Amorim: Fones: (73) 9 8818 3207 e (73) 9 9983 7627.

Mundo do Chocolate, Gramado (RS)

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Foto: Alexandra Ivanovich / Café Viagem

Inaugurado na Páscoa de 2015, este espaço temático da marca Lugano está situado bem no centro de Gramado, na Borges de Medeiros. Trata-se de uma loja, café e museu temático com mais de 200 peças confeccionadas inteiramente com chocolate. Há miniréplicas da Casa Branca, Torre Eiffel, Taj Mahal, Cristo Redentor, Torre de Pisa, e Pirâmide do Egito. Para que as esculturas sejam conservadas, o Mundo de Chocolate está sempre na temperatura de 18ºC.

Ainda é possível embarcar numa espécie de “túnel do tempo”, retornando ao período da civilização asteca e do “fruto divino”, o cacau. O local ainda destaca cenários do passado, como a corte do rei Carlos V da Espanha e a cozinha de um mosteiro do século XVI, onde os monges aparecem fazendo uma receita de chocolate. A viagem segue até os dias atuais: na entrada você também vai passar por uma Mini Fábrica, onde é possível conferir a produção do chocolate em andamento.

O Reino do Chocolate conta também com um belíssimo café, com uma vista privilegiada para o Vale do Quilombo. Na cafeteria algumas poltronas são em formato de xícara, enquanto as mesas lembram tabletes de chocolate. O local é ideal para uma pausa.

Fonte: Mapa do MundoCafé Viagem.

Avenida das Hortênsias, 5382 (saída p/ Canela). Ingresso: R$ 28 (maiores de 60 anos e crianças entre 5 a 12 anos); R$ 35 (adultos). Segunda a quinta das 9h às 20h. Sexta e sábado das 9h30 às 21h30. Domingo das 9h30 às 20h. Telefone: (54) 3286-3588

Ecomuseu da Cultura do Vinho, Bento Gonçalves (RS)

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Foto: Divulgação

Em um só lugar: loja de vinhos, sala de exposições, local para degustação às cegas, restaurante e ambiente com animais silvestres e domésticos, além de árvores ornamentais, nativas e frutíferas. Mas o mais interessante atrativo da Vinícola Dal Pizzol, em Bento Gonçalves (RS), é o projeto Vinhedo do Mundo. Trata-se de uma das maiores coleções privadas de uvas do mundo — são cerca de 400 variedades de mais de 30 países dos cinco continentes, sendo 350 em plena produção. A partir destas, é elaborado todos os anos o VINUMMUNDI, um tinto feito com inúmeras castas (o número varia a cada safra). Apenas algumas centenas de garrafas são produzidas anualmente e a bebida não é comercializada.

Fonte: Assessoria.

RS 431, Km 5,3 – Distrito de Faria Lemos (Rota Cantinas Históricas), Bento Gonçalves – RS. Telefone: 54 3449.2255.Funcionamento: segunda a sexta-feira, das 9h às 17h, livre. Sábados, domingos e feriados, das 10h às 16h30min. De 6 a 12 anos, R$ 5 e acima de 12 anos, R$ 10. 

Museu do Café de Santos

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Fonte: Grão Gourmet

Localizado na cidade portuária de Santos (SP), o museu é referência em preservação e pesquisa do grão no país. Possui uma série de atividades internas e externas que visam à preservação do café como objeto museológico fundamental para o Brasil, além de projetos como história oral, mapeamento de acervos, formação de baristas, exposições temporárias e itinerantes, além de atividades culturais com o tema do café.

Uma curiosidade: o prédio abrigou a primeira bolsa de valores oficial dedicada ao comércio de café. Criada em 1922, a Bolsa servia como sede administrativa das negociações realizadas no estado de São Paulo, além de ser um edifício-monumento com arquitetura dedicada à cafeicultura.

Fonte: Grão Gourmet

Rua XV de Novembro, 95, Centro Histórico de Santos (SP). Funcionamento: Terça a sábado, das 9h às 17h. Domingo, das 10h às 17h. Ingresso (inteira): R$10,00.

Museu da Cachaça de Salinas (MG)

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Foto: Secretaria de estado de Cultura de MG/Wellington Pedro/Divulgação

Na cidade de Salinas, ao Norte de Minas Gerais, está este espaço dedicado à bebida destilada que tem a cara do Brasil. O museu conta com salas de exposição sobre a cadeia produtiva e as características da cachaça artesanal, com painéis fotográficos, áudios, vídeos e uma instalação de 9 metros de alturas com 1.750 rótulos produzidos na cidade mineira. O espaço também dispõe de cozinha, restaurante e estrutura para realização de negócios, além de shows e eventos.

Os visitantes poderão passar por uma experiência sensorial na Sala do Aroma, onde as bebidas percorrem calhas e podem ser distinguidas pelo seu cheiro. O acervo da instituição retrata todo ciclo de produção da aguardente, desde o cultivo da cana de açúcar, a produção artesanal da cachaça de alambique até sua comercialização no Brasil e no mundo.

Av. Antônio Carlos, 1.250, Salinas/MG. Funcionamento: Quarta a domingo, das 09h às 19h. Entrada gratuita. (38) 3841-4778

Museu da Cachaça de Paty dos Alferes (RJ)

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Foto: Isabela Kassow / Diadorim Ideias .

Uma das atrações de Paty do Alferes é o Museu da Cachaça, o primeiro no gênero no país.
O vasto acervo agregado por Íris e Iale Renan (hoje falecido) é apresentado aos visitantes com quadros, coleções de crônicas e artigos, livros especializados, trovas populares, um antigo mini alambique, dentre muitos outras atrações, que compõem a importante história da cachaça. No Museu da Cachaça também estão instaladas uma indústria artesanal de aguardente, duas adegas e um bar para degustação gratuita.

Fonte: Mapa de Cultura do RJ.

Rua Nova Mantiquira 227 – Mantiquira. Paty do Alferes – R.J. Tel.: (24) 2485.1475. Funcionamento: Terça a sexta-feira, de 9 às 18h. Sábados, das 09h às 19h. Domingos e segunda, de  9h às 17h.

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