No Agreste pernambucano, nenhuma outra cidade supera Garanhuns na oferta de matéria-prima para uma verdadeira gastronomia de terroir.

A água vem de fontes minerais, o leite e os queijos são produzidos na própria cidade, que também tem um vasto gado bovino. As frutas em quantidade garantem a produção secular de geleias e licores, como os que são vendidos no Mosteiro de São Bento.

Com exceção do italiano Napolitano, fundado em 1967 como sorveteria e do Chez Pascal, aberto em 1969 pelo suíço Lavielle Pascal e considerada a primeira casa de fondues de Pernambuco, tudo sempre foi muito regional – uma confluência de influências europeias, negras e da culinária indígena. Comida típica mesmo, como cuscuz, cozido, bode, feijoada e feijão tropeiro.

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Foto: Lucas Oliveira / Gastrô Online)

Quem bem segura essa regionalidade é a Buchada do Gago, fundada em 1974 por Flávio Batista, o famoso Gago. É dele a buchada de bode mais conhecida do Agreste, eleita pelo Guia Quatro Rodas como a melhor do Brasil, sem interrupção, desde o ano 2000. Localizado na Vila do Quartel, o estabelecimento é bem simples e oferece uísque, cerveja e mais de 50 tipos de cachaça.

Foi a partir do Festival de Inverno de Garanhuns, 25 anos atrás, que o cenário passou a mudar. A cidade começou a receber uma demanda por diversificação e a partir de então, diversos bares e restaurantes de culinária internacional foram criados e se consolidaram.

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Junto com o evento, nasceu a loja/cafeteria/fábrica Chocolate Sete Colinas – em Heliópolis. São servidos chocolates quentes, bolos de caneca, licores, mais de 150 tipos de barras, drágeas e bombons – feitos com uma mistura de chocolates nacionais e do belga Barry Callebaut, com leite da fábrica Bom Leite, dando um toque de terroir ao sabor dos produtos. Alguns, inclusive, levam castanhas, pimenta e até rapadura.

No local, é possível não apenas adquirir os produtos, como saboreá-los com salgados e como base para outros doces, bem como comprá-los em kits de presente e com vinhos. Hoje a empresa possui 25 funcionários distribuídos entre a fábrica e loja em Heliópolis, e no ponto de venda no Centro da cidade.

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Os mais antigos se adaptaram. “Criamos um cardápio especial para o Festival, no qual disponibilizamos prioritariamente os nossos fondues e uma carta de vinhos para harmonização. A casa sempre lota”, contou Ricardo Coifman, atual administrador do Chez. A receita de queijo, deixada por Lavielle à mãe de Ricardo, dona Zilda Santana, em 1977, é mantida em segredo até os dias atuais.

O Pólo Heliópolis, fundado em 2001 e situado à avenida Euclides Dourado, é considerado hoje o ponto focal da gastronomia e do entretenimento da cidade, com seu cinema Eldorado e restaurantes com gastronomia mundial.

Lá está situado O Relojoeiro, fundado em 2004 por João Augusto, chefe de cozinha, com mais de 35 anos de experiência em gastronomia. O prato referência da casa é o Bacalhau à Moda do Chef, feito com o peixe do tipo gadus morhua, vindo especialmente da região do Porto, em Portugal. Mas a casa também faz um mix de influências italiana, francesa e até regional.

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Fora dessas ruas está o Du Vin Bistrô (Rua Amaury de Medeiros, Heliópolis), uma linda casa de vinhos e crepes com mais de 60 rótulos; o Chicruta (Dr. José Mariano, Santo Antônio), com empanadas, carnes e o melhor da cozinha argentina; além do Carmen & Frida (Rua Sargento Silvino Macedo, Centro)- com comida brasileira e mexicana.

Garanhuns é de saborear quantas vezes você se permitir.

Saiba onde se hospedar em Garanhuns.

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Matéria adaptada de duas outras escritas para a Revista Movimentto.

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