O consumo de espumante brasileiro – produzidos do Sul ao Sertão – tem crescido no país. As vendas internas aumentaram 16,5% entre janeiro e novembro de 2015, em comparação com o mesmo período no ano anterior, de acordo com o Instituto Brasileiro do Vinho (IBRAVIN). O aumento dos custos de produção e as mudanças na tributação em 2016 podem até impedir um desempenho igual, mas a tendência já foi estabelecida: pelo menos 80% dos vinhos borbulhantes bebidos no país, ano passado, foram elaborados em solo tupiniquim.

Porém entre esses dados, há uma surpresa: os espumantes moscatéis – com adição de açúcar e que são uma especialidade do Vale do São Francisco – tiveram um aumento maior em relação ao número geral. Ainda de acordo com o IBRAVIN, o consumo desse tipo de espumante aumentou 22,6% entre janeiro e novembro de 2015. Segundo o pesquisador em enologia da Embrapa Semiárido, Giuliano Pereira, os números registrados nas vinícolas locais – inclusive este ano! – é maior: entre 25 e 30% no volume total de vendas.

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Foto: Euclides Netto

Na Vinícola Terranova (Miolo Wine Group), em Casa Nova/BA, os espumantes secos e doces correspondem a 90% das vendas totais da vinícola. Uvas específicas para eles ocupam 180 dos 200 hectares produtivos. Este ano a expectativa é vender 3 milhões de garrafas. “Estes produtos estão tendo maior aceitação no país porque, em comparação com espumantes tradicionais do mundo, como os Champagnes franceses, os Cava espanhóis, dentre outros – que são bem mais caros – os espumantes do Vale acabam apresentando maior competitividade“, alega Giuliano.

Mas não é só preço que tem pesado nessa escolha. A chancela de premiações em concursos nacionais e internacionais – como Brazil Wine Challenge e Concours Mondial de Bruxelles, respectivamente – e o sabor único dos produtos locais; foram essenciais para atestar a qualidade dos vinhos nordestinos. “Os aromas de terpenos, típicos das variedades moscatos (Itália e Canelli), além de variedades brancas como Chenin Blanc, Verdejo, Sauvignon Blanc; e brancos e rosados elaborados com Syrah e Grenache, têm feito com que os espumantes do Vale apresentem tipicidades e reconhecimento dos consumidores”, adicionou o pesquisador.

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O mercado é tão promissor que a Vinícola Rio Sol (Global Wines), localizada em Lagoa Grande/PE e que já vende cerca de 2 milhões de espumantes moscatéis, bruts brancos e rosados por ano, lançou um novo produto em Outubro. Trata-se do Rio Sol Brut Premium, um espumante preparado em método charmat prolongado a baixas temperaturas, com uvas Arinto, Viognier e Touriga Nacional selecionadas. A “edição” é limitada: apenas 2,5 mil garrafas foram distribuídas no país. E a ideia é só lançá-lo novamente em períodos de safras excepcionais. Uma ousadia.

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Eventos como casamentos, aniversários, festas de formaturas, convenções e demais festas privadas têm ajudado no reconhecimento e nas vendas do vinho nordestino. Segundo o enólogo e administrador da Rio Sol, Ricardo Henriques, desde que a empresa começou a mirar neste segmento com equipe preparada para o atendimento, as vendas começaram a crescer. “Este ano registramos um aumento em cerca de 20% em vendas para esses eventos em comparação a 2015”, alega.

Giuliano Pereira vê um futuro brilhante para os espumantes do Vale. “A tendência é de ampliação do consumo de espumantes da região, aumento da produção pelas vinícolas, pois estão muito bons, com muita tipicidade, e custos mais reduzidos, pelas elevadas produtividades que estão conseguindo”, ressaltou. Há, ainda, pesquisas em andamento na Embrapa Semiárido que buscam implantar novas varietais na região e estudos do IF-Sertão para viabilizar o método champenoise – o mesmo usado para champagne. Só nos resta brindar a tão boas novidades.

Rio Sol distribuiu espumantes dos tipo Moscatel, Demi-Sec, Brut e Rosé Brut durante toda a noite

Um brinde à produção nacional!

Saiba mais:

Matéria originalmente escrita para a Wine Tourist Magazine e adaptada para o Terroir.

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