O dia 30 de janeiro de 2018 ficará marcado na história da cacauicultura sul-baiana. O selo de Indicação Geográfica de Procedência (IP) Cacau Sul da Bahia, um sonho antigo dos produtores, foi aprovada e publicada nesta terça-feira (30) pelo Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI).

O selo é concedido a lugares ou regiões conhecidos como centros de extração, produção ou fabricação de determinado produto ou de prestação de determinado serviço. No caso do sul da Bahia, são únicos a tradição e história em torno da produção de cacau; como, por exemplo, o modo de produção cabruca, que minimiza o impacto no meio ambiente, ajudando a manter parte da flora e sem eliminar a fauna local.

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Com a IP, as amêndoas sul-baianas e os produtos advindos delas passam a ser reconhecidos pela regionalidade. Isso agregará valor à cadeia produtiva e ao comércio local e regional; além de possibilitar maior desenvolvimento socioeconômico; a organização dos produtores e da produção; bem como a valorização do patrimônio cultural, preservação da biodiversidade e fauna locais, e até incremento do turismo. Atualmente, outras 53 regiões brasileiras possuem Indicação Geográfica e esta é a primeira da Bahia. 

Denominação de Origem do Cacau Sul da Bahia

O segundo passo é certificar a região com um selo de Denominação de Origem (D.O.), que passará a exaltar o “terroir”, ou seja, as características específicas graças a seu meio geográfico, incluídos fatores naturais e humanos.

Quando um produto faz a transição para um D.O., as normas e controles ficam muito mais específicos, como as quantidades máximas que podem ser colhidas e o processo de elaboração. Entre os alimentos brasileiros com D.O., estão os vinhos do Vale dos Vinhedos (RS), o arroz do Litoral Norte Gaúcho, os camarões da Costa Negra (CE), o própolis vermelho de Alagoas e o café da Região do Cerrado Mineiro.

Perspectivas para o Cacau Sul da Bahia

Para o secretário executivo da Associação Cacau Sul Bahia, Cristiano Santana, essa indicação é um reconhecimento de que a região tem um produto diferenciado. “Essa publicação marca o fim de uma etapa e o início de outra que é trabalhar, dentre outras coisas, a qualidade, o marketing e a comunicação em cima da região e seu produto”.

Para o cacauicultor Durval Libânio Netto, a conquista aponta para o renascimento do Sul da Bahia. “Hoje temos a maior área territorial protegida do país, incluindo 83 municípios produtores de cacau [uma área de, aproximadamente, 61.460 km²]. Mesmo com todas as dificuldades, chegamos lá. Parabéns ao Sul da Bahia. Que nossa região renasça!”, completa.

As informações são do Governo da Bahia, INPI e Mercado do Cacau.

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