Não imaginava que o tamarindo, uma frutinha azedinha facilmente encontrada aqui no Nordeste, pudesse se tornar tão versátil nas mãos das cozinheiras da comunidade de Caboclo – pertencente ao município de Afrânio/PE, a 121 km de Petrolina e a 789 km de Recife/PE.

Tradicionalmente o tamarindo não é a fruta que representa a gastronomia local – muito mais destaque tem o doce de leite (famoso!) e a “peta”, feita de polvilho de mandioca. “Quando iniciamos os trabalhos da Comissão de Revitalização de Caboclo, encontramos um elemento de identidade nos tamarineiros centenários, com quase 200 anos, soltos pelas ruas e que fizeram sombra para as histórias da comunidade”, contou Luciana Cavalcanti, engenheira química e integrante da Comissão.

Com a festa, o grupo passou a incentivar as pessoas a fazerem receitas com o tamarindo, realizou capacitações e criou o concurso – que premia hoje as três melhores receitas em dinheiro. A ideia é lançar um livro em breve, com tudo o que foi criado desde 2006 – primeiro ano do certame.

“Agora ele já se agregou à culinária regional e isso é maravilhoso, porque a fruta é bastante rica em potássio e além de possuir a maioria dos minerais e vitaminas como A e C em boa quantidade, é antioxidante e possui fibras solúveis, diminuindo o colesterol no sangue”, complementou Luciana.

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Para minha felicidade, a engenheira me convidou a ser jurada do concurso e experimentei 8 formas diferentes de se saborear o fruto do tamarineiro. Foram elas: Torta de Maçã com Tamarindo, Torta de Banana com Tamarindo, Doce de Tamarindo, Molho (salgado) de Tamarindo, Caldinho de Tamarindo com Charque e Camarão, Barrinha de Cereal de Tamarindo e Castanha, Pavê de Tamarindo com Banana e Batida de Tamarindo com Hortelã.

Calma, só comi uma colheradinha de cada, o suficiente para sentir o sabor. #saudadesdieta

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Achei de uma ousadia imensa os pratos salgados, principalmente o molho. Talvez um cuidado maior com a redução (e o excesso de sal) tivesse feito eu e os outros jurados escolher este prato com o vencedor. O mesmo aconteceu com o caldinho.

Por outro lado, adorei a barra de cereal (o único prato para o qual dei 10), mas os meus colegas jurados, o artista plástico Iranildo e a culinarista Josefa Durando, não viram ali o mesmo potencial e a receita não foi classificada. O lanchinho foi uma produção da cadeira de ‘Vegetais e Frutas’ do Curso Técnico de Agroindústria do IF-Sertão de Afrânio.

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Foto ilustrativa (porém bem parecida com a barrinha que comi)

“Misturamos castanha, tamarindo, uvas passas e amendoim e fizemos essa barrinha como experimento. Ainda não temos ficha técnica ou prazo de validade, mas se cair no gosto das pessoas é provável que passemos a comercializar”, disse a aluna e cozinheira, Tássia Barros. Seu grupo também faz conservas, além de doces em calda e corte e o contato, para quem se interessar, é (87) 8823.1135.

Na feirinha da Festa a minha folia gastronômica continuou. Veja no que a fruta ainda pode se transformar, pelas mãos de Dona Do Carmo, de Afrânio e Dona Lourdes Carvalho, que atua em Petrolina e está ligada à Fundação Nilo Coelho.

“Capilé”

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Licor

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Doce com Batata-doce

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Geleia com Abacaxi

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Geleia com Doce de Leite cremoso

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Doce cristalizado

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Melado no palito

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Para mais informações sobre a comunidade, com suas fachadas em adobe, o Museu Pai Chico e sítios arqueológicos, visite o site Viva o Sertão, O Nordeste e o site da comunidade.

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