Na noite do último sábado (13), tive o prazer de apresentar um debate sobre o filme Comer, Rezar, Amar (2010) durante a Mostra Gastronômica do Janela 353, em Petrolina. Num bate-papo adoçado pelos sorvetes de morango e manjericão – preparados pela chef Geórgia, do Café de Bule – tivemos a oportunidade de compartilhar nossos sentimentos sobre a história.

Discussão sobre Comer, Rezar, Amar

Foto: Lizandra Martins

O longa metragem é baseado em livro autobiográfico homônimo, escrito pela americana Liz Gilbert e lançado em 2006. Nele, a autora conta, em detalhes, seu processo de redescobrimento ao longo de ano sabático, vivido na Itália (comer), Índia (rezar) e em Bali (amar).

Minhas antigas impressões sobre a protagonista eram as piores: uma mulher mimada e egoísta buscando ser alguém melhor. Também me incomodava a narrativa ser encerrada com Liz arranjando um outro homem e, só assim, se sentindo completa. A felicidade só é verdadeira quando compartilhada? Sim. Não necessariamente com um par romântico. Para mim, naquela época, “Comer…” era uma história sobre busca, infelizmente enfraquecida por um clichê.

Discussão sobre Comer, Rezar, Amar

Foto: Lizandra Martins

Para Geórgia, sentada ao meu lado, o longa pode ser sobre como encontrar diferentes maneiras de nutrir sua alma – começando pelo paladar. Afinal, entregar-se aos sabores da vida não seria uma forma de promover transformação pessoal?

Para alguns presentes no debate, o longa traz uma reflexão sobre liberdade – e como viver em sociedade pode trazer diferentes significados à palavra. Quais são as prisões que te impedem de viver seus sonhos? Seria a ideia de liberdade uma prisão ainda maior? Você vive a vida que quer, ou a que esperam de você?

Discussão sobre Comer, Rezar, Amar

Foto: Lizanda Martins

Para uma moça de cabelo cacheado (desculpe, não lembro seu nome!), “Comer…” é sua história de vida. E naquele dia, vendo o filme pela 6ª ou 7ª vez, ela se percebeu enxergando outros pontos de vista sobre o amor e as desilusões que vivemos ao longo da vida.

Assistir à obra 7 anos depois do seu lançamento, e quase 11 anos depois que o livro foi publicado, claramente trouxe para mim uma experiência totalmente diferente. Tenho hoje mais ou menos a mesma idade que a Elizabeth tinha quando resolveu largar tudo para se reencontrar com suas paixões (não relacionadas a homens) e desenvolver-se espiritualmente, encontrando um equilíbrio.

Discussão sobre Comer, Rezar, Amar

Foto: Lizandra Martins

Hoje, encaro-a com olhares muito mais carinhosos e empáticos e sua história me parece ser sobre amor, principalmente o próprio. O Terroir, inclusive, é resultado de um processo de amor-próprio iniciado há alguns anos.

É como diz o sábio RuPaul:

Pra mim, o pecado da produção cinematográfica continua sendo que a profundidade de detalhes, a sutileza das relações e sensações promovidas pelo livro passam longe. Mas, ainda assim, vale a pena vê-lo ou revê-lo. Ou, até, dar-se um tempo de leitura.

Quem sabe quais reflexões você pode ter hoje, no atual momento de sua vida?

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